10.10.16

Todo o amor é imaginário - Padre Antônio Vieira

Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama, e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade: cuidais que amais perfeições angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue, que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina, e não é, não o há no mundo.



Análise feita por Yasmin Souza:

Neste sermão produzido por Padre Vieira, a principal característica barroco presente e visível é o humanismo, onde se foca no sentimento, no amor; neste texto o autor relata que os homens amam o irreal, eles amam não o que realmente existe, mas sim, o que eles gostariam que existissem; e podemos trazer isso para o mundo atual, onde vivemos por aparência e não pela essência, e como esta no texto a aparência é algo frágil e com isso tiramos um ensinamento, não devemos viver ou amar pela aparência mas sim pelo real sentindo das coisas.

9.10.16

Amor fiel - Gregório de Matos

                              Amor fiel



Ó tu do meu amor fiel traslado 
Mariposa entre as chamas consumida, 
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu fim hás encontrado,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo que exalou, morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constâncias iguais, iguais nas chamas.

Mas ai! que a diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.


Análise feita por Pedro Lucas : 

Em seus textos  Gregório de Matos  sempre tende  através da contradição, expor em seus poemas a importância pessoal das coisas. Para ele, o amor é mais relevante ao lado do ódio, o frio é mais relevante ao lado do calor, e etc...  No texto acima, o amor é comparado à morte da amada, como se fosse uma oposição entre a luz (amor) e a escuridão (morte) . Veja que a morte da amada está em um sentido figurado, o que significa que amada entregou-se  a  outro amor, outro fogo, é isto que o poeta considera como morte , e vida  para o poeta,  é  tipo que o amor que ele próprio sente .

2.10.16

Ao Braço do Menino Jesus de Nossa Senhora Das Maravilhas, A quem infiéis despedaçaram. - Gregório de Matos


O todo sem a parte não é todo, 
A parte sem o todo não é parte, 
Mas se a parte o faz todo, sendo parte, 
Não se diga, que é parte, sendo todo. 

Em todo o sacramento está Deus todo, 

E todo assiste inteiro em qualquer parte, 
E feito em partes todo em toda a parte, 
Em qualquer parte sempre fica o todo. 

O braço de Jesus não seja parte, 

Pois que feito Jesus em partes todo 
Assiste cada parte em sua parte. 

Não se sabendo parte deste todo, 

Um braço, que lhe acharam, sendo parte, 
Nos disse as partes todas deste todo. 
Gregório de Matos

Análise do poema de Gregório de Matos por Gabriela:É facilmente percebido no texto o cultismo, característica do Barroco, que consiste em uma linguagem rebuscada e repleta de jogo de palavras e figuras de linguagem. Também é facilmente percebida a grande religiosidade do poema, outra característica do Barroco.Na segunda estrofe do poema, podemos perceber que o autor diz que "Em todo o sacramento está Deus todo", ou seja, que em todo sacramento está Deus por inteiro, e diz que Deus está inteiro em qualquer parte assistindo-nos, observando nossas ações. Gregório diz que o braço (de Jesus) é parte, mas também é todo. Tenta mostrar que com uma parte do todo, podemos encontrar o todo por inteiro. 

30.9.16

O amor fino

O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino. 
Padre António Vieira, in "Sermões" 

Análise do texto Padre Antônio Vieira por João Victor:

No período do Brasil colonial foi de grande expansão do catolicismo na região. O catolicismo atormentava pela ideia do pecado e busca a salvação de forma angustiada. Entre outras, essas são as principais características do barroco, o apelo a religião.
O texto, "o amor fino", mostra muito dessa ideia da religião sobre tudo, também o autor é um padre, símbolo do catolicismo. O texto passa a ideia de como é amar de acordo com os princípios do catolicismo.

Análise feita pelo aluno João Victor De Paula.

24.9.16

À Cidade da Bahia - Gregório de Matos

Triste Bahia! Oh! Quão dessemelhante 

Estás e estou do antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado
Rica te vi eu já, tu a mim abundante

A ti trocou-te a máquina mercante

Que em tua larga barra tem entrado, 
A mim foi-me trocando a tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente 

Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh! Se quisera Deus que, de repente

Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!

                 Gregório de Matos

Análise do poema de Gregório de Matos por Gabrielly:

Gregório trás críticas e questões relacionadas à Bahia, relata sobre a transformação do estado de uma forma lamentável, aborda também a questão econômica, alegando que viu a Bahia rica, como uma grande cidade e depois a tristeza de ter notado a crise se espalhando no território.

Análise feita pela aluna Gabrielly Rodrigues Felix Benedito André.

Inconstância das Coisas do Mundo! - Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
Gregório de Matos
Análise do poema de Gregório de Matos por Micaella:
Gregório fala da inconstância das coisas, de como tudo está sempre em mudança, indo e vindo constantemente, usando o Sol e a Luz, a beleza, a tristeza e alegria e outras coisas como representação dessa mudança infinita, indicando uma transitividade em nossas vidas, de que por mais que se tenha certeza de algo, esse algo sempre pode vir a  mudar, sendo assim, a inconstância é a nossa única certeza.
Análise feita pela aluna Micaella Barcellos Pereira.