24.10.16

Questão de Vestibular

2. (F.C. Chagas-BA) Assinale o texto que, pela linguagem e pelas idéias, pode ser considerado como representante da corrente barroca.
a) "Brando e meigo sorriso se deslizava em seus lábios; os negros caracóis de suas belas madeixas brincavam, mercê do Zéfiro, sobre suas faces... e ela também suspirava."

b) "Estiadas amáveis iluminavam instantes de céus sobre ruas molhadas de pipilos nos arbustos dos squares. Mas a abóbada de garoa desabava os quarteirões."

c) "Os sinos repicavam numa impaciência alegre. Padre Antônio continuou a caminhar lentamente, pensando que cem vezes estivera a cair, cedendo à fatalidade da herança e à influência do meio que o arrastavam para o pecado."

d) "De súbito, porém, as lancinantes incertezas, as brumosas noites pesadas de tanta agonia, de tanto pavor de morte, desfaziam-se, desapareciam completamente como os tênues vapores de um letargo..."

e) "Ah! Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade! A vossa bruteza é melhor que o meu alvedrio. Eu falo, mas vós não ofendeis a Deus com as palavras: eu lembro-me, mas vós não ofendeis a Deus com a memória: eu discorro, mas vós não ofendeis a Deus com o entendimento: eu quero, mas vós não ofendeis a Deus com a vontade."

Resposta correta: letra E
É presente no texto características clássicas do Barroco: o cultismo, o jogo de palavras com figuras de estilo utilizando uma linguagem rebuscada, o conceptismo, jogo de ideias seguindo um raciocínio lógico que utiliza uma retórica aprimorada, e também a forte religiosidade.

Questão Vestibular

VUNESP

Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:
tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características:

a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.
b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.
c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.
d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.
e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.

RESPOSTA: C


Na alternativa A, tal texto não possui antíteses claras em ordem direta.
Na alternativa B, diz que a temática é a da fugacidade do tempo e da vida, o que estaria incorreto neste caso, e esse texto não é de lógica do Classicismo.
Na alternativa D, é colocado que tal texto, é assimétrico o que seria falso, e Gregório não estaria tratando especificamente o romantismo, mas sim, a sensualidade.
Na alternativa E, sendo colocado novamente que tal texto é assimétrico o que esta incorreto, também diz que está sendo abordado o tema neoclássico o que não teria  haver com o texto em questão.
E por fim, a alternativa correta é a C, pois o poema expressa o dualismo barroco, tema representativo nos versos de Gregório de Matos por meio de contrastes como religiosidade e sensualismo, misticismo e erotismo, valores terrenos e aspirações espirituais, expressos por metáforas, especialmente com o uso de paradoxos.

Questão de Vestibular

5. (PUCC-SP)
"Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha."
Pode-se reconhecer nos versos acima, de Gregório de Matos:
    a) caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço de uma crítica, em tom de sátira, do perfil moral da cidade da Bahia.
    b) caráter de jogo verbal próprio da poesia religiosa do século XVI, sustentando piedosa lamentação pela falta de fé do gentio.
    c) estilo pedagógico da poesia neoclássica, por meio da qual o poeta se investe das funções de um autêntico moralizador.
    d) caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço da expressão lírica do arrependimento do poeta pecador.
    e) estilo pedagógico da poesia neoclássica, sustentando em tom lírico as reflexões do poeta sobre o perfil moral da cidade da Bahia.

Resposta correta: letra A
É uma característica clássica tanto de Gregório quanto do Barroco em geral o jogo de palavras utilizado para fazer uma crítica em tom satírico, no caso do soneto, direcionado à moral da cidade da Bahia.

Questão enem(2014)

Questão  111

Quando Deus redimiu da tirania
Da mão do Faraó endurecido
O Povo Hebreu amado, e esclarecido,
Páscoa ficou da redenção o dia.

Páscoa de flores, dia de alegria
Àquele povo foi tão afligido
O dia, em que por Deus foi redimido;
Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.

Pois mandado pela Alta Majestade
Nos remiu de tão triste cativeiro,
Nos livrou de tão vil calamidade.

Quem pode ser senão um verdadeiro
Deus, que veio estirpar desta cidade
o Faraó do povo brasileiro.

(DAMASCENO,  D. Melhores  poemas: Gregório de  Matos. São Paulo: 2006)

Com uma  elaboração de   linguagem e uma visão  de  mundo  que  apresentam  princípios barrocos, o   soneto de  Gregório de  Matos apresenta  temática expressa  por

(A) visão cética  sobre as relações  sociais.

(B) preocupação com  a identidade  brasileira.

(C) crítica  velada à forma de governo  vigente.

(D) reflexão sobre dogmas do  Cristianismo.

(E) questionamento das  práticas  pagãs  na Bahia.

Na alternativa A não encontramos nenhuma coesão com o texto, afinal, visão cética é semelhante a uma visão incrédula, e Gregório não passa a idéia de que não acredita nas relações sociais, e sim que Deus uniu aquele povo na "páscoa de flores, dia de alegria
Àquele povo que foi afligido
O dia, em que por Deus foi redimido"
Sobre a alternativa B, podemos dizer que na verdade Gregório não tinha uma preocupação extrema com a sociedade brasileira depois de todos os nossos estudos sobre ele, podemos dizer que ele se preocupava mais em resgatar a religiosidade e combater o humanismo. Concluímos que a alternativa é incorreta.
A alternativa D seria uma questão que causa muita confusão em quem quer chegar à resposta da questão. Porém, embora seja citado algumas frases da religiosidade cristã ("Ergo sois vós, Senhor..."), o texto não trata das dogmas cristãs(Na Igreja Católica Romana, um dogma é uma verdade revelada sobre a Fé.Absoluta, definitiva, imutável, infalível, inquestionável e absolutamente segura sobre a qual não pode pairar nenhuma dúvida), pois não se dá certeza alguma, e sim dúvidas, como vemos na frase: Quem pode ser senão um verdadeiro
Deus, que veio estirpar..."
A alternativa E deve ser a primeira a ser eliminada das possíveis corretas, afinal não há um momento no texto que se trata das práticas pagãs no texto. É importante sempre lembrar que ,em questões de interpretação, a resposta está no texto.
No poema Gregório trata o faraó como se fosse os governantes da Bahia. Vemos que de alguma maneira Gregório pretende criticar os "faraós", e por fim diz:"Deus, que veio estirpar desta cidade o Faraó do povo brasileiro." Com isso ele passa a idéia de que há uma grande e rico governador considerado do "povo" pela democracia, porém ele é só um milionário do dinheiro do povo, e Gregório recorre aos poderes de Deus para retirar a ilusão do povo brasileiro em relação aos governadores. Alternativa correta: C

Observações feitas por João Victor De Paula.

ENEM 
Leia com atenção o poema a seguir e marque a opção correta.
À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Gregório de Matos Guerra)
Sobre o tema central do soneto acima é correto dizer:
a) o eu-lírico aborda a superficialidade sobre as aparências.
b) há uma visão dicotômica entre a grandeza divina e a pequenez do homem.
c) há a preocupação com a efemeridade da vida.
d) o eu-lírico expõe sobre o sofrimento amoroso em função do sentimento de culpa.
e) o eu lírico expõe a dualidade dos sentimentos do homem barroco.
 Alternativa: D  
Comentário sobre a questão por Gabrielly Rodrigues:
Uma das figuras de linguagem presente é a antítese, que consiste na oposição de termos “tristes” e “alegres”, uma das mais utilizadas no barroco por reforçar a dualidade de pensamentos. Já as outras figuras de linguagem, não correspondem com a proposta do enunciado, que consiste na aproximação de significados opostos. 

17.10.16

Amor e Tempo, Pe. Antônio Vieira

AMOR E TEMPO

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.
Padre Antônio Vieira. 
Análise feita por Lourran:

Nesse sermão temos como principal característica do barroco o tema da passagem do tempo, o tempo, veloz e avassalador, tudo destrói em sua passagem, vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao passageiro e entregar-se à eternidade? Podemos ver também que o escritor insiste em que o amor é passageiro "por isso os antigo sabiamente desenhavam um amo ar menino, porque sabiam que era passageiro. De começo algo é bom para você depois de um tempo o relacionamento começa a se desgastar e perder a graça, e isso foi muito bem dito, mas isso é do tempo. Quando meu amor vai terminar? Só o tempo pode dizer.

16.10.16

Artes Barrocas: Literatura

O Barroco é um estilo artístico que surgiu na Europa, e foi usado pela Igreja Católica com a intenção de recuperar os fiéis perdidos para a Contra-reforma. O mesmo chegou no Brasil no final do século XVII, e tendo seu apogeu no século seguinte.
 Serviu como transmissor da cultura europeia e das leis católicas entre o povo.

O barroco literário pode ser caracterizado pelo cultismo, conceptismo, exagero e contraste e todos os termos se subdividem em:
  • Cultismo: exagero de ideias, complexidade de sentimentos, amplo uso das figuras de linguagem;
  • Conceptismo: valorização do conteúdo, linguagem rebuscada, sensualidade;
  • Exagero: dramatização dos sentimentos;
  • Contraste: claro x escuro, luz x sombra, terreno x espiritualidade (Carpe Diem), momentâneo x duradouro.
Os principais autores aqui no Brasil foram Gregório de Matos e Pe. Antônio Vieira, como já observamos no blog.

Exemplos da literatura barroca:

TODO


Gregório de Matos 

O todo sem a parte não é todo; 
A parte sem o todo não é parte; 
Mas se a parte o faz todo sendo parte, 
Não se diga que é parte, sendo todo.


A UMA AUSÊNCIA
Antônio Barbosa Bacelar
Sinto-me, sem sentir todo abrasado 
No rigoroso fogo que me alenta; 
O mal que me consome me sustenta, 
O bem que entretém me dá cuidado.

Ando sem me mover, falo calado, 
O que mais perto vejo se me ausenta, 
E o que estou sem ver mais me atormenta; 
Alegro-me de ver atormentado.
Choro no mesmo ponto em que me rio, 
No mor risco me anima a confiança, 
Do que menos se espera estou certo.
Mas, se de confiado desconfio, 
É porque, entre os receios da mudança, 
Ando perdido em mim como em deserto.